domingo, 4 de maio de 2008

IX


Deste sempre, recordo-me da palavra “sucesso” como de suma importância no pilar e suporte em muitas vidas. Geralmente associada ao triunfo e ganhos no trabalho, as primeiras imagens que se tem sobre o “êxito” ou “sucesso” é dinheiro, reconhecimento, abundância. Mas será só isso mesmo?... Não poderá haver outra faceta?

É claro que existe, mas é decerto a menos falada e associada a este famoso termo do “sucesso”! O outro lado pode e deve reflectir mudanças, mas mais no domínio do companheirismo e da humildade. O “êxito” e o “sucesso” podem bem ser confinados no empreendimento do caminho da aprendizagem, do reconhecimento nos méritos pessoais e do EU de cada um.

Sem desfalecer ou esmorecer, estou convencida de que é um direito inato ir de sucesso em sucesso durante toda a nossa vida. Se isso não acontece, é porque não caminhamos em sintonia com as nossas capacidades inatas, ou por não acreditarmos que possa ser verdade para nós ou ainda por não reconhecermos os nossos próprios sucessos. Por vezes ávidos de “vencer na vida” e ser-se finalmente “reconhecido e bem aceite na sociedade”, estabelecemos padrões demasiados elevados para o ponto evolutivo em que estamos no momento. Não nos sendo possível atingi-los imediatamente, fica latente e patente o tão “envergonhado” e “doloroso” falhanço tão rejeitado na sociedade actual....

Quando uma criança está aprender andar ou a falar, encorajamo-la e louvamo-la por cada pequenino progresso que ela faz. A criança sorri e procura avidamente fazer ainda mais e melhor. Se pensarmos bem, não é desta forma que na generalidade, cada um de nós faz. Em vez de auto-coragem e auto-elogios quando se faz alguma coisa nova, é usual tornar a tarefa ainda mais difícil, com mimos como “que, trapalhão, eu sou” ou “ sou mesmo um fracasso”. Devo confessar, que era uma prática usual em mim, esse tipo de auto-mutilações, que levava-me a recusar práticas novas, simplesmente porque não sabia como o fazer e o medo do ridículo era enorme! Hoje, tenho a certeza que uma das coisas boas que aprendi com a prática da meditação, além da calma inerente a esta “actividade”, foi indubitavelmente ver o “outro lado” das coisas, um lado mais doce, mais puro, mais confortante e onde tudo é bastante mais simples! Rapidamente, percebi que o aprender, não é mais do que o conjugar de vários erros, até que a nossa mente subconsciente consiga “unir” as imagens certas. Assim, aprendendo-se pouco a pouco com cada experiência, claramente é possível proporcionar um percurso constituído por uma série de passos para sucessos sempre crescentes!

Associado a todos estes “conceitos”, visualizemos agora dois alpinistas. Claramente, um deles destaca-se, escalando mais e melhor do que o outro. “Vitorioso”, sentindo-se contente e orgulhoso por ter chegado mais além, ganha como por “mágica” mais energia e forças para apoiar o outro alpinista. Isso faz com que este último alpinista suba com mais confiança, segurança e consciente da ajuda. E este é sem dúvida o maior “êxito e sucesso” – o de pedir e o dar; o da consciência e o da inter-ajuda. Enfim, simples práticas que tornam o dia a dia, a sociedade e a vida melhor, bem melhor!

Por tudo isto, não se esqueçam, pois, de pensarem “nestes assuntos” carinhosamente e de ter a certeza que o melhor mesmo é não se fazerem julgamentos...

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