domingo, 4 de maio de 2008

X


É certo que ver e sentir, é o nome desta crónica, mas principalmente e antes de tudo, tratam-se de importantes faculdades que o ser humano possui.

Os olhos, “preciosos tesouros”, permitem “ver” todas as maravilhas que nos rodeiam com formatos, magnitudes e amplitudes. É um sentido tão lindo, que nos reporta para uma permanente tela de cinema repleta de luz, em que nós somos os actores principais, participando activamente na nossa vida, e na dos outros. E depois... tudo tem cor que muito bem pode simbolizar o estado do nosso estado de espírito! Decerto que a escolha de uma cor escura é bem mais triste e deprimente do que uma brilhante e reluzente tonalidade clara, tal como o Verão, tal como a Primavera, em que os coloridos próprios das épocas se confundem com característicos aromas... E aí, o nosso narizinho é o alvo principal,.. o de cheirar dando origem ao famoso olfacto! E aí, e de súbito, a beleza de uma flor, é como se tornasse mais apurada, juntando à honra de podermos contemplar a sua beleza com as suas estonteantes cores, o conseguirmos cheirar o seu maravilhoso perfume... é uma dádiva dos céus e uma maravilha da natureza! Desfrutem-na com prazer, esquecendo as amarguras da vida... e vivam prazenteiramente o momento, sentindo com os dedos a suavidade e leveza das pétalas da flor... Reparem, como os prazeres da vida podem aumentar com a simplicidade de poder tocar em todas as coisas existentes no mundo,... Como o apurado tacto sentido nas pontas dos dedos ao tocar o veludo macio de cada pétala... No meio desta perfeita contemplação, as nossas capacidades permitem-nos ainda ouvir o zumbido de uma abelha que também ela atraída pela beleza e cheiro da flor, pretende banquetear-se com o seu pólen... Reparem, os nossos ouvidos escutam! Como é inteligente a natureza! E como é esperta a abelha! Tal como nós... empurrados pelo cheiro, e cores “atacamos” com prazer uma suculenta refeição embalados pelo sabor dos alimentos cuidadosamente preparados quer pela natureza, quer pelas mãos de um qualquer cuidadoso cozinheiro... A nossa boca, é pois agora a caixinha de surpresas, só superada pelo prazer da gustação...

A par destes cinco magníficos sentidos, constato a existência de outras faculdades na nossa exímia constituição humana...mas acolho-as com um misto de alegria por as possuirmos e de pena por não as valorizarmos como elas merecem!...

Na altura do cio, os animais, dizem, andam loucos! O cheiro inalado das glândulas sexuais, misturado com períodos sazonais é muitas das vezes explosivo... os cães desarvorados, fogem de casa e dos seus donos, para andarem fervorosamente atrás das cadelas... pela causa, andam à pancada com outros cães muitas das vezes com o dobro do tamanho, não comem, ficam escanzelados, magros e de horrível aspecto com umas mordidelas à mistura. E isto, sem contar com sonoros uivos à lua cheia... Até os gatos não escapam com encarniçados gemidos que parecem surgir de qualquer lado, da janela, do telhado, do chão!... Enfim, na natureza tudo é válido e aceite no jogo da conquista, da sedução! Simplesmente porque é natural e intrínseco... e o homem não foge à regra... é pena que os pruridos, muitas das vezes falsos, estraguem esta faceta magnífica: o da conquista, da sedução, do sexo, do namoro e do amor... sim porque tudo está tão ligado, que não adianta muito separar «as águas» sob pena de quebrar irremediavelmente a magia...

Intuir, intuição, é também mais uma preciosa ferramenta. Igualmente não somos os únicos a possuir, e os cães bem podem confirmá-lo com o seu olfacto, e ouvido dando origem a um poderoso sexto sentido! O de intuir! Mas só o homem é que pode mistura-lo com as suas poderosas capacidades como a da fala! Se tivermos atentos aos nossos sentidos, aos sinais, de imediato é como se tivéssemos um canal permanentemente aberto com o divino que nos alerta para o que é bom, ou que nos avisa do que é mal... Pode ser algo tão inexplicável como cruzarmo-nos com alguém que nunca antes vimos e sentirmos imediatamente um arrepio na espinha como que uma repulsa, ou pelo contrário sentirmos uma atracção incrível... Será o cruzamento de vidas passadas, o outro lado do espelho ou simplesmente o tal cheiro das glândulas?...

Por tudo isto, não se esqueçam, pois, de meditarem “nestes assuntos” carinhosamente e de ter a certeza que o melhor mesmo é não se fazerem julgamentos...

IX


Deste sempre, recordo-me da palavra “sucesso” como de suma importância no pilar e suporte em muitas vidas. Geralmente associada ao triunfo e ganhos no trabalho, as primeiras imagens que se tem sobre o “êxito” ou “sucesso” é dinheiro, reconhecimento, abundância. Mas será só isso mesmo?... Não poderá haver outra faceta?

É claro que existe, mas é decerto a menos falada e associada a este famoso termo do “sucesso”! O outro lado pode e deve reflectir mudanças, mas mais no domínio do companheirismo e da humildade. O “êxito” e o “sucesso” podem bem ser confinados no empreendimento do caminho da aprendizagem, do reconhecimento nos méritos pessoais e do EU de cada um.

Sem desfalecer ou esmorecer, estou convencida de que é um direito inato ir de sucesso em sucesso durante toda a nossa vida. Se isso não acontece, é porque não caminhamos em sintonia com as nossas capacidades inatas, ou por não acreditarmos que possa ser verdade para nós ou ainda por não reconhecermos os nossos próprios sucessos. Por vezes ávidos de “vencer na vida” e ser-se finalmente “reconhecido e bem aceite na sociedade”, estabelecemos padrões demasiados elevados para o ponto evolutivo em que estamos no momento. Não nos sendo possível atingi-los imediatamente, fica latente e patente o tão “envergonhado” e “doloroso” falhanço tão rejeitado na sociedade actual....

Quando uma criança está aprender andar ou a falar, encorajamo-la e louvamo-la por cada pequenino progresso que ela faz. A criança sorri e procura avidamente fazer ainda mais e melhor. Se pensarmos bem, não é desta forma que na generalidade, cada um de nós faz. Em vez de auto-coragem e auto-elogios quando se faz alguma coisa nova, é usual tornar a tarefa ainda mais difícil, com mimos como “que, trapalhão, eu sou” ou “ sou mesmo um fracasso”. Devo confessar, que era uma prática usual em mim, esse tipo de auto-mutilações, que levava-me a recusar práticas novas, simplesmente porque não sabia como o fazer e o medo do ridículo era enorme! Hoje, tenho a certeza que uma das coisas boas que aprendi com a prática da meditação, além da calma inerente a esta “actividade”, foi indubitavelmente ver o “outro lado” das coisas, um lado mais doce, mais puro, mais confortante e onde tudo é bastante mais simples! Rapidamente, percebi que o aprender, não é mais do que o conjugar de vários erros, até que a nossa mente subconsciente consiga “unir” as imagens certas. Assim, aprendendo-se pouco a pouco com cada experiência, claramente é possível proporcionar um percurso constituído por uma série de passos para sucessos sempre crescentes!

Associado a todos estes “conceitos”, visualizemos agora dois alpinistas. Claramente, um deles destaca-se, escalando mais e melhor do que o outro. “Vitorioso”, sentindo-se contente e orgulhoso por ter chegado mais além, ganha como por “mágica” mais energia e forças para apoiar o outro alpinista. Isso faz com que este último alpinista suba com mais confiança, segurança e consciente da ajuda. E este é sem dúvida o maior “êxito e sucesso” – o de pedir e o dar; o da consciência e o da inter-ajuda. Enfim, simples práticas que tornam o dia a dia, a sociedade e a vida melhor, bem melhor!

Por tudo isto, não se esqueçam, pois, de pensarem “nestes assuntos” carinhosamente e de ter a certeza que o melhor mesmo é não se fazerem julgamentos...