quarta-feira, 18 de junho de 2008

XI


A “solidão”, gigante social actual, tem vindo crescente e velozmente atormentar espíritos prevenidos e desprevenidos! Não escolhe idades, classes ou sexos! Por assim dizer: ninguém escapa!

Devagarinho, vai abrindo caminhos sem pedir licença, instalando-se profundamente nas entranhas de cada ser. Enlutado e de negro, o espírito e alma vão mirrando, procurando no abrigo de um sofá, no bebericar de um chá, algo ou alguém com quem falar ou apenas olhar, só para não sentir tanto o vazio do ar que se respira, das paredes onde se abriga... alternativas procuram-se!

O espírito ainda não sabe, mas a alma sábia, há muito que procura soluções: amigos, namorados, companheiros, companhias...

No desespero, muitas vezes “tudo o que vem à rede é peixe”! A escolha, pouco criteriosa, pode alcançar percursos sinuosos acentuando ainda mais a “solidão” de cada qual. Numa assarapantada aflição, a percepção “tapar buracos vazios, nem pela memória, nem pelas retinas, ainda que vagamente passa”.

Muitas vezes, a dor acentua-se tanto, que graves enfermidades surgem. Por sorte, ainda sobram os bichos! Os incontestáveis amigos! Vivam pois os cães e os gatos! Mas... atenção! Apesar da muita dedicação e fidelidade por “estes” dada, a solução continua a ser dentro de cada um de nós, de vós, dele, dela…

Olhem pois agora para o vosso mais secreto interior, o tal EU recôndito e escondido, deixem-no soltar e falar... se lhe apetecer deixem-no até berrar!... O que interessa mesmo é a “limpeza” desse interior... E nem que seja a plenos pulmões... viajam dentro de vós e conheçam-se... pois o único subterfúgio válido, é mesmo a vossa alma, o vosso espírito e... quem sabe a solidão passará a ser menos penosa e mais tolerável. E aqui já neste estágio, talvez outras alternativas como o cultivo da espiritualidade não pareça tão absurda!...

Por tudo isto, lembrem-se mais uma vez que o melhor, mesmo, é não se fazerem julgamentos...

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